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Japonês, gaúcho e nerd.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Commander - novo formato de Magic

Nunca postei sobre Magic the Gathering no blog, por motivos que renderiam um livro. Tenho minha account no Online, jogo de vez em quando um draft pra curar a lombriga, e é isso.

Era isso, pois eis que entrou em cena um novo formato: Commander! Não é tão novo, pois é a formalização de um formato de casual play bastante antigo (Elder Dragon), mas dessa vez a Wizards decidiu lançar produtos específicos, investir no cenário competitivo e trabalhar nas regras.






Quem quiser ler em detalhes pode achar as regras aqui, mas em resumo trata-se de um deck singleton, de cem cartas, comandado por uma criatura Lenda. Essa criatura, o Comandante do deck, fica numa zona separada fora do deck e da mão, de onde pode ser invocada normalmente. Toda vez que ela morre, volta pra lá, e pode ser invocada novamente, pagando duas incolores a mais. O seu deck só pode ter cartas das cores de seu comandante, lembrando que é singleton, ou seja, uma de cada carta exceto land básica. Sounds fun?

E se eu disser que ele é totalmente voltado ao multiplayer e que você começa com 40 pontos de vida? :D

Perdi uma horinha ontem montando um deck pra esse formato. A primeira etapa foi escolher uma lenda. Não que eu tivesse muitas escolhas, pq a coleção online é modesta... Optei por uma velha conhecida dos tempos do bloco Ravnica, favorito meu e do meu irmão:


My Commander, Isperia the Inscrutable

A esfinge dos Azorius me permite jogar com duas cores fortes em controle e pede por foco em criaturas voadoras. O fato de poder abrir um deck singleton e escolher qual criatura pegar é chamativo demais pra ser ignorado, e assim o deck acabou se construindo sozinho com boas opções de criaturas com usos diversos. Mesclei uma boa seleção de criaturas voadoras brancas e azuis, que se mostrou bastante versátil, ainda que limitada. As criaturas mais importantes são Akroma Angel of Wrath, Platinum Angel, Twilight Shepherd e, pasme, Drift of Phantasms! (toolbox de criaturas voadoras brancas e azuis, se tiverem boas idéias joguem nos comentários).

Adicionei counters, card draw, scry, removal, 40 lands, e tava "pronto" o deck. Ao terminar de percorrer a coleção eu já havia selecionado bem mais de cem cartas e nem tinha adicionado as lands básicas, então o maior problema foi na hora dos cortes. Não vou postar o deck pq ainda tenho muito pra melhorar, mas vou contar como foi a primeira partida dele no multiplayer.






Primeiramente, devo descrever os oponentes. À minha direita, Reaper King. À minha esquerda (no online, à frente) Doran Siege Tower, e no lado oposto Phelddagrif. O primeiro estava com cinco cores mas pendendo ao preto. Deck estranho, não entendi. O segundo era um deck de Ents bastante interessante e pesado e difícil de derrubar, e o terceiro era um bom UG mas não aparentava ter uma estratégia coesa, e o W era só splash.




O jogo começou lento, com os jogadores trabalhando as suas próprias mana bases ao invés de se comprometerem na red zone e no equilíbrio político do mesão. Até que o jogador do Reaper King baixou uma criatura que adicionou um poison counter em cada jogador da mesa, e no turno seguinte me atacou com ele. Do nada, com mais de 30 pontos de vida, eu já estava com 3 poison counters. Isso fez com que eu voltasse as minhas poucas criaturas pra ele. O jogador do Phelddagrif estava produzindo quantidades absurdas de mana, e começando a incomodar com counters e criaturas grandes. O Ent estava construindo uma mana base grandiosa e baixando criaturas grandes e removals pretos e brancos.



Eu comecei a atacar o jogador do reaper king, por medo de morrer de poison counters. Em determinado momento, ele baixou uma criatura que descartou a sua própria mão (5 cartas) e fez com que cada jogador tivesse que sacrificar cinco criaturas... isso limpou a mesa de todos, menos dele. Eu respondi com a minha Akroma batendo direto nele, e isso baixou a vida dele pra menos de 20 pontos. Na sequência, o jogador da minha frente detonou todas as criaturas do jogador da direita, e o jogador do lado oposto removeu de jogo minha Akroma. Mesa limpa de novo, meu card draw começou a me recolocar no jogo, e o tutor da Isperia começou a mostrar a quê veio. Enquanto o jogador das cinco cores ficou sem mão e comprando land apenas, o da minha frente começava a detonar meus pontos de vida com alguns ents, e o do lado oposto abandonou o jogo e foi dormir (a partida já tava durando uma hora nesse ponto). Assim, em poucos turnos reconstruindo minha mesa eu matei o jogador da minha direita das cinco cores, enquanto o jogador dos ents ia me trucidando aos poucos. Em determinado momento eu baixei meu Platinum Angel, e isso acabou mudando a dinâmica do jogo.

Se eu não perco, e vc não ganha, então...
 
Ele continuou me atacando até jogar meus pontos de vida pro negativo, mas também pq ele pretendia causar os 21 pontos de dano com o Doran (regra desse formato). Fica difícil acompanhar exatamente quantos pontos de dano vc tomou, mas em algum momento eu encontrei o melhor removal do formato. A regra diz que se a criatura bater no cemitério ela volta pra essa zona especial, mas o quê acontece se vc escondê-la no fundo do deck? Ela fica lá... ;)

Tchau e bênção!
Vencido esse problema do Doran, me restava achar um jeito de manter o Platinum Angel vivo, e arrumar um jeito de matar o oponente. Em algum momento ele tentou baixar um equipamento que daria lifelink pra algum daqueles monstros gigantescos, o q dificultaria demais as minhas chances de vencer o jogo, então tive que gastar meu counter precioso nessa hora.

Como a Isperia revelava a mão dele todo turno, eu sabia que ele não tinha nenhum removal na mão e estava dependendo do topdeck (isso pq em algum momento do early game ele riu horrores de mim pq eu anulei um Sensei Divining Top...). Uma das criaturas dele revelava a carta do topo do deck quando atacava, e foi assim que nós nos deparamos com uma Sword to Plowshares esperando no topo do deck dele, pronta para matar meu Platinum Angel e selar o jogo pró-Ents...

Momento Nostalgia...
O que significava que eu teria apenas um turno pra arrumar uma resposta a essa pequena grande velha instantânea. Eis o que se seguiu:

Eu ataquei com a Isperia, mas não lembrava mais o que ele tinha na mão (na verdade, eu não sabia, pq ele tinha comprado uma carta nova e eu ainda não tinha visto). Chutei Planície, e acertei! Com isso, eu pude abrir o deck e pensar muito bem no que fazer. Acabei escolhendo o Drift of Phantasms, transmutei ele por um Hinder e com isso efetivamente me coloquei em posição de vencer o jogo no alpha strike aéreo do turno seguinte.

Killer Card...

Mas é Magic, amigos, não é como jogar na Mangazine ou com os chapas da Tijuca lá no Rio. Ao ver que eu tinha em mãos o counter pro removal dele, o amigo dos Ents me xingou (de uma coisa que nem deveria ser xingamento, mas blz) e simplesmente desconectou... Eis o ambiente do Magic Online, pessoal super camarada, simpático, e com espírito esportivo.

Eram duas da manhã, mas eu estava satisfeito demais com a aventura de encarar um formato novo, complexo, divertido, e diverso. Se alguem tiver interesse em testar idéias ou em fazer umas trocas casuais, meu nickname no Magic Online é Cleston (dããã). Vale a pena testar o Commander, tenho certeza que todo mundo tem umas cartas boas paradas prontas pra serem usadas e abusadas e redescobertas nesse formato. Não deixem de comentar se gostaram, se não gostaram, se querem que eu fale mais, menos, ou nada de MtG.

Nos próximos posts, Coréia, Alemanha, Coréia, Alemanha...

Game on!
Abs,

Escrito no meu telefone Nokia ;)

Um comentário:

  1. Caraca Cléston, vc ficou uma hora pra montar um deck com 100 cartas, one of a kind ???????????????????????? só podia ser baitola mesmo viu... hahaha

    então, o Daniel me falou desse formato, fiquei com vontade de jogar. a gente marca um dia lá na mangá. aí joga isso, Lords, Anachs, UFS, par ou ímpar, peteca, etc...

    Abraço!

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